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  Colunistas
Ronaldo Fiani
COLUNISTA

 

As Possibilidades de Petrópolis no Futuro que nos Espera, Parte 2: O Admirável Mundo Novo da Indústria 4.0

Vimos no último domingo que as atividades que hoje apresentam maior produtividade e tecnologia mais sofisticada sofreram uma mudança radical nas últimas três décadas. Em suas fases anteriores a indústria utilizou principalmente a energia do vapor, do petróleo e da eletricidade, juntamente com a energia do trabalho humano, o qual era responsável não apenas por movimentar o processo produtivo, mas também por supervisionar e controlar a produção, corrigindo qualquer problema.

Em função da importância do esforço humano para movimentar e controlar o processo de produção, esta acontecia fundamentalmente em grandes unidades industriais, que abrigavam massas de operários em linhas de montagem, supervisionados por gerentes e técnicos. A construção e operação dessas grandes unidades industriais exigia grandes volumes de capital. Daí que desenvolvimento era sinônimo de mobilização de expressivas massas de recursos, geralmente a cargo de grandes bancos públicos, como o BNDES.

Porém, historicamente os setores mais lucrativos mudam a cada fase da indústria, porque os setores mais lucrativos são aqueles com tecnologia mais sofisticada, e as tecnologias mais sofisticadas são diferentes em cada fase do desenvolvimento industrial. A tecnologia mais sofisticada é mais lucrativa porque as empresas que atuam com estas tecnologias sofrem menor concorrência justamente por estarem na fronteira tecnológica, e assim há poucas empresas e países com capacidade para produzir e competir nestes setores de ponta. Isso gera maiores margens de lucro.

Em razão disso, na época da energia a vapor a indústria têxtil britânica, juntamente com as ferrovias incorporavam a tecnologia mais sofisticada, e apresentavam maior lucratividade, pois poucas empresas em outros países conseguiam produzir tecidos e equipamentos ferroviários com a tecnologia dos britânicos. Depois, na segunda fase de desenvolvimento, a indústria química básica e a indústria de materiais elétricos apresentavam maior lucratividade, e apenas as empresas na Grã-Bretanha, Estados Unidos, França, Suíça e Alemanha tinham capacidade de produzir nestes setores de ponta, e auferiam por isso grandes lucros. A indústria têxtil viu a concorrência se intensificar com a disseminação de empresas têxteis pelos países em desenvolvimento, e suas margens de lucro se reduziram.

Este é um processo inevitável, à medida que as empresas de países menos desenvolvidos começam a dominar a tecnologia que antes era a mais sofisticada e que vai se tornando mais tradicional e conhecida. A disputa por maiores margens de lucro (que pagam maiores salários e maiores impostos, e com isso enriquecem toda a sociedade) é fundamentalmente uma disputa por se colocar na fronteira do desenvolvimento tecnológico, menos acessível aos outros países e, portanto, que sofrem menor pressão competitiva.

No século XX a primazia tecnológica e em termos de lucratividade passou para a indústria das telecomunicações, automobilística e aeronáutica, que eram tecnologicamente mais complexas e sofisticadas, causando a redução da lucratividade da indústria química básica e de materiais elétricos. Neste começo de século XXI vemos a chamada “indústria 4.0” definir novas tecnologias na fronteira do processo de produção. Essa indústria 4.0, todavia, traz uma mudança radical em relação a todas as três fases anteriores. A indústria 4.0 não tem a ver com a imagem tradicional de operários em um pavilhão em uma linha de montagem, pois a força humana não possui mais importância para acionar e controlar no processo produtivo.

Na indústria 4.0 os processos produtivos são autoexecutáveis e inteligentes, operando em grande medida de forma independente da supervisão humana. Essa indústria 4.0 envolve atividades como Big Data; emprego de robôs com visão virtual; realidade ampliada; impressoras 3D; computação na nuvem; internet das coisas, sistemas de segurança etc. Por conseguinte, nesta quarta onda da Revolução Industrial é a atividade intelectual, em vez da força dos trabalhadores, que ganha importância.

Portanto, é a posse do conhecimento técnico-científico associado às novas tecnologias digitais que vai determinar quem vai conseguir entrar e competir na indústria 4.0, e assim auferir margens de lucro elevadas. Quem não possuir este conhecimento, vai atuar nos setores industriais tradicionais, onde a lucratividade será cada vez menor, pois a produção vai se disseminar em vários países, à medida que a tecnologia passa a ser dominada por países com menor capacidade científico-tecnológica.

Com isso, quem se limitar aos setores tradicionais vai ter baixa lucratividade, pagar salários mais baixos e arrecadar menos. Quem tiver capacidade de atuar na indústria 4.0 vai ter grande lucratividade, pagar maiores salários e arrecadar maiores impostos. Vamos argumentar no próximo domingo que Petrópolis tem todas as condições de se desenvolver no admirável mundo da indústria 4.0.



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