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  Colunistas
Ronaldo Fiani
COLUNISTA

 

A Importância Crucial do Desenvolvimento de Petrópolis



Vimos no último domingo que desenvolvimento envolve transformar a economia no sentido de uma estrutura produtiva tecnologicamente mais sofisticada, visando à melhoria da qualidade de vida de sua população. Vimos também que apenas a expansão da atividade econômica, sem alteração na tecnologia da estrutura produtiva e sem melhoria significativa na qualidade de vida não é desenvolvimento, mas simplesmente crescimento econômico.

Ocorre que o que acontece na maior parte das vezes com as cidades brasileiras, quando a economia vai bem, não é desenvolvimento, mas somente crescimento. Em outras palavras, quando a economia prospera nas nossas cidades, frequentemente é fazendo mais do mesmo: mais padarias, mais salões de barbearia, mais oficinas, mais pequeno comércio etc. Embora expansões deste tipo sejam saudadas pelas lideranças políticas e por alguns jornalistas, há um problema que usualmente passa despercebido.

O problema que poucos percebem é que o mero crescimento econômico (vale dizer, fazer mais do mesmo) não evita o empobrecimento da cidade ao longo do tempo: se a cidade não desenvolve, isto é, se não cria e expande atividades econômicas mais sofisticadas, que proporcionam salários e lucros maiores aos que trabalham e investem nelas, a renda gerada na cidade (a soma dos salários e lucros gerados) cresce devagar, mais lentamente do que o crescimento da sua população.

A razão disto é simples: atividades tecnologicamente mais sofisticadas produzem bens e serviços mais valiosos (pense no preço de um iPhone 11, quando comparado ao preço de uma blusa fabricada em uma pequena confecção), que remuneram seus trabalhadores com salários mais elevados e geram lucros maiores. O crescimento baseado em atividades de tecnologia mais simples, como pequenas confecções e pequeno comércio gera lucros e salários reduzidos.

A consequência do mero crescimento, portanto, é que a renda por habitante da cidade (a soma de salários e lucros), isto é, sua renda per capita, acaba por se reduzir ao longo do tempo, pois a população tende a crescer mais rapidamente que a soma dos lucros e salários gerados pelas atividades menos sofisticadas, que aumenta de forma muito lenta.

Com isso, a base de arrecadação fiscal, ou seja, a renda que é gerada e que pode ser tributada também aumenta muito devagar, menos do que o necessário para atender à população crescente. Como resultado, fica cada vez mais difícil para a administração municipal oferecer serviços adequados tanto à população como às empresas. Em função disto, empresas passam a deixar a cidade, buscando outros locais com serviços melhores e, como resultado, entramos em um círculo vicioso muito perverso, que envolve redução de renda causando redução de arrecadação e, desta forma, nova redução de renda, pela fuga de empresas em consequência da queda nos serviços.

Por conseguinte, o desenvolvimento é crucial: apenas o crescimento não basta para manter a qualidade de vida dos habitantes de uma cidade. Porém, desenvolvimento é algo muito difícil. Se não fosse assim, todas as cidades se desenvolveriam com facilidade, mas podemos ver facilmente que não é isso que acontece. Na verdade, desenvolvimento é algo raro, e que leva tempo. Por que o desenvolvimento é difícil?

Desenvolvimento é difícil porque ele demanda recursos mais qualificados, isto é, mão de obra, equipamentos, infraestrutura e capacidade gerencial sofisticados, que têm de ser gerados na cidade, ou atraídos para ela, de forma a possibilitar o desenvolvimento de atividades produtivas mais complexas e sofisticadas. Enquanto isso, o crescimento sempre envolve fazer mais do mesmo, por isso não exige recursos diferentes daqueles que já existem na cidade.

Este é o motivo pelo qual crescimento econômico não envolve esforço significativo e se torna a linha de menor resistência para gestores públicos, contudo, conforme vimos, ao longo do tempo acaba por empobrecer a cidade, e gera um círculo vicioso que aprofunda os seus problemas.

Mas que recursos especiais são esses? Petrópolis dispõe desses recursos? Estes serão os temas dos nossos próximos artigos.



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