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  Colunistas
Ronaldo Fiani
COLUNISTA

 

As Universidades e o Desenvolvimento de Petrópolis

Vimos que o desenvolvimento transforma a economia rumo a uma estrutura produtiva tecnologicamente mais sofisticada, que produz bens e serviços mais valorizados e, assim, paga maiores salários e lucros, possibilitando maior arrecadação fiscal. A maior arrecadação, por sua vez, possibilita mais e melhores serviços públicos, o que contribui significativamente para a evolução da qualidade de vida da população da cidade.

Mas também vimos no último domingo que o desenvolvimento é algo muito difícil e que, se não fosse assim, todas as cidades conseguiriam se desenvolver rapidamente e com facilidade, o que obviamente não acontece. Na prática, o desenvolvimento é bastante raro, e demanda tempo. Perguntamos então: por que o desenvolvimento é difícil? Neste e nos próximos domingos vamos a responder a esta questão.

Já adiantamos no último domingo que o desenvolvimento é difícil porque ele exige recursos mais qualificados, ou seja, mão de obra, equipamentos, infraestrutura e capacidade gerencial mais sofisticados, capazes de dar conta de novas atividades produtivas, tecnologicamente mais complexas. Por exemplo, a mão de obra demandada por uma empresa de circuitos integrados possui maior grau de sofisticação do que, digamos, a mão de obra demandada por uma confecção. O mesmo acontece com os equipamentos, a infraestrutura, a capacidade gerencial etc., necessários para sustentar atividades econômicas tecnologicamente mais complexas e sofisticadas.

Vamos considerar hoje um destes recursos, os recursos de mão de obra. Os recursos de mão de obra mais especializados e qualificados, necessários ao desenvolvimento são fornecidos pelas universidades. Assim, a presença de universidades de qualidade em uma cidade é um fator fundamental para a promoção do desenvolvimento local. Petrópolis dispõem de várias instituições de ensino superior de qualidade, sem mencionar os institutos técnicos: a Universidade Católica de Petrópolis, o curso de Engenharia de Produção da Universidade Federal Fluminense e a Faculdade Arthur Sá Earp Neto, só para citar alguns exemplos.

Contudo, esse é um tópico sobre o qual muitas vezes há equívocos importantes. O equívoco mais frequente e importante é acreditar que seja possível e desejável transformar as universidades exclusivamente em laboratórios de pesquisa para empresas privadas. É da própria dinâmica da Universidade estabelecer sua agenda de pesquisas, e é bom que assim seja: a produção de novo conhecimento exige investigar fatos que ainda não são totalmente conhecidos. Impor restrições antecipadamente, em função de algum interesse particular pode limitar severamente as descobertas.

Mas isto não significa que as Universidades são torres inatingíveis, onde os pesquisadores se enclausuram alheios à qualquer interesse da sociedade. Em primeiro lugar, ao produzirem novo conhecimento, os pesquisadores elevam a qualidade do ensino. Com efeito, não é por acaso que as melhores universidades do mundo são também aquelas que mais pesquisam, pois a pesquisa aprofunda e transforma o conhecimento que já está disponível, o que eleva a qualidade dos cursos, produzindo técnicos, cientistas e profissionais altamente qualificados, com capacidade para atender às demandas de empresas de tecnologia de ponta, que são a base do desenvolvimento.

Em segundo lugar, na maior parte dos casos, somente departamentos de excelência nas universidades têm capacidade de atender demandas de pesquisa oriundas de empresas privadas de tecnologia de ponta. Por exemplo, um departamento de Engenharia de Sistemas e Computação de excelência, com uma pós-graduação forte (mestrado e doutorado) e pesquisas relevantes possui a equipe e os recursos necessários para atender qualquer empresa inovadora na área.

Pelo número e qualidades das universidades e institutos de que Petrópolis dispõe, a cidade possui um dos recursos mais importantes para promover o desenvolvimento. Mas a pesquisa e a pós-graduação (que é onde a pesquisa acontece) ainda precisam de um investimento muito maior nas nossas universidades, para tornar a cidade uma referência nacional em ciência e tecnologia.

Esta é uma missão fundamental, tanto para os reitores das nossas universidades, quanto para os administradores da cidade, que devem apoiar esta iniciativa essencial para o desenvolvimento de Petrópolis.



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