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  Colunistas
Ronaldo Fiani
COLUNISTA

 

O Problema Econômico da Água em Petrópolis
 

Na página da Águas do Imperador na web consta o aviso de que, em função da estiagem, as regiões mais altas da Estrada da Saudade, Alcobacinha, Vale do Carangola, Pedro do Rio, Barra Mansa, Nogueira, Correas, Castelo São Manoel e Itaipava podem vir a ter o abastecimento interrompido, porque as bombas que abastecem essas regiões são acionadas automaticamente pelo volume e a pressão de água existente nas redes, que vêm se reduzindo com a seca. Isso apesar das medidas emergenciais da concessionária como, por exemplo, o recurso a sistemas alternativos de abastecimento (os sistemas Ponte de Ferro e Rio da Cidade, que segundo a concessionária acrescentam 30% da produção diária à distribuição de água), além de caminhões-pipa.

Nos últimos artigos tenho destacado a importância de Petrópolis atrair profissionais com formação técnica e científica, juntamente com empresas de ponta para o desenvolvimento econômico da cidade. Tenho enfatizado também que a qualidade de vida na cidade é fundamental para isto, juntamente com a presença de atividade cultural importante. Obviamente, a sustentabilidade da oferta de água para consumo urbano e empresarial é um dos principais fundamentos da qualidade de vida na cidade.

Ocorre que a oferta de água é resultado direto do tratamento da questão ambiental, e esta questão vem sendo abordada de uma forma profundamente equivocada nos últimos anos no país: problemas ambientais têm sido encarados de um ponto de vista puramente ideológico, como se fossem uma questão de posicionamento político. Na verdade, o problema ambiental é essencialmente econômico.

Com efeito, mesmo um recurso ambiental que não é objeto de comercialização e, portanto, não possui um “preço” também possui valor econômico. Este é o caso, por exemplo, de uma região de serra preservada, que seja visitada por turistas para a prática de ciclismo ou de outra atividade esportiva ao ar livre. O valor desta região hipotética é determinado pelos lucros proporcionados a hotéis, pousadas, restaurantes e outros serviços na cidade que venham a atender esses turistas.

Se isso é verdadeiro para uma região preservada que não pode ser comercializada e, por conseguinte, não possui um preço para seus serviços, mais ainda o é para um recurso comercializável como a água. A água é um recurso econômico que é comercializado, e por isso possui um preço definido. Como este preço é formado? Sem entrar em detalhes técnicos, uma parte do preço é o resultado do custo de captação e tratamento da água. Quanto maior o custo de captação e tratamento, maior o preço da água.

Ocorre que a questão ambiental afeta diretamente o custo da captação. A degradação das matas ciliares, ou seja, da vegetação que protege nascentes, córregos e rios eleva o custo de captação, pois reduz o número e o volume das nascentes e fontes que podem ser usados para se obter a água e, assim, obriga a buscar água em lugares cada vez mais distantes, ou de difícil acesso. A destruição das matas ciliares também eleva o custo de tratamento da água, pois estas matas servem como barreiras que impedem a chegada de substâncias inadequadas ao consumo humano à água.

Outra dimensão importante da questão ambiental diz respeito à demanda. A expansão da população e de atividades econômicas (em particular daquelas que fazem uso intensivo de água) exercem pressão sobre a oferta. Essa pressão pode levar a elevações no custo do fornecimento da água, se houver dificuldade para captar e tratar água suficiente. Assim, podemos ter dois efeitos se reforçando mutuamente, no sentido de criar problemas ao abastecimento de água em Petrópolis: baixo crescimento na captação provocada pela redução da vegetação e aumento acelerado da demanda.

O enfrentamento desse problema exige que se faça um planejamento da oferta de água em Petrópolis. Esse planejamento tem de contemplar tanto as possibilidades de expansão na oferta de água, quanto uma previsão do crescimento da demanda na cidade para um horizonte de, pelo menos, vinte e cinco anos (o espaço de uma geração). Caso contrário, situações como a que estamos passando vão se tornar cada vez mais graves em um futuro próximo, comprometendo severamente a qualidade de vida na cidade.



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