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  Colunistas
Ronaldo Fiani
COLUNISTA

 

Uma Estratégia para a Indústria de Petrópolis

A indústria petropolitana foi gravemente atingida logo no início dos anos 1990 com a abertura apressada e sem planejamento do setor têxtil às importações. Boa parte da atividade industrial na cidade se apoiava direta ou indiretamente naquele setor, e a falta de qualquer apoio às empresas para adaptar e modernizar a indústria após décadas de proteção excessiva, para tentar garantir a competitividade com os tecidos importados (naquele momento em grande medida provenientes da Índia) foi fatal para grande parte da atividade têxtil, o que atingiu duramente a cidade, pois esta atividade era a base do emprego e da renda em Petrópolis. Uma iniciativa tentando reagir a este quadro de desindustrialização foi o conceito de “Petrópolis tecnópolis” ainda nos anos 1990, buscando oferecer uma alternativa à destruição da indústria têxtil.

Afirmei no último artigo que há pouca reflexão sistemática de longo prazo sobre a indústria de Petrópolis. Vimos que, de acordo com o Plano Plurianual 2018-2021, exceto por uma referência vaga às vocações da cidade, os segmentos industriais que mereceriam estímulo seriam aqueles mais geram empregos e renda, estimulando a cadeia produtiva, ou seja, a cadeia de fornecedores para esses produtos. Destaquei que embora o emprego seja um critério muito importante, não pode ser o único, pelo simples fato de que as empresas industriais não competem no vazio: elas competem com outras empresas, em outras cidades, e às vezes até em outros países. Citei como exemplo hipotético o caso de uma indústria de Petrópolis que pode sofrer concorrência de outras empresas do Grande Rio, ou mesmo de outros Estados e outros países, dado o grau atual de abertura da economia.

Ao contrário do que usualmente acontece (como é o caso do Plano Plurianual), o apoio à indústria nesta competição com outras empresas exige que se vá além do momento presente, examinando apenas se a indústria em questão aumenta ou não aumenta o emprego, mas demanda uma estratégia de longo prazo, ou seja, uma estratégia que considere as perspectivas de evolução do mercado em todos os seus aspectos mais importantes, inclusive seu dinamismo tecnológico, ou seja, sua capacidade para a inovação. Sem uma estratégia de inovação para a indústria petropolitana, ela pode acabar falindo, ainda que gere muitos empregos.

Mas por que considerar as estratégias de inovação e as tendências de uma indústria é importante? Vou ilustrar esta afirmação com o caso da Eastman Kodak Company, popularmente conhecida como Kodak. Empresa conhecida de todos com mais de trinta anos, cujo nome já foi sinônimo de fotografia, hoje é desconhecida das gerações mais jovens.

A derrocada da Kodak se tornou evidente em 2011, quando a empresa entrou com um processo de falência. A Kodak conseguiu sair do processo de falência em 2013, porém, muito menor do que era antes: abriu mão da produção de câmeras digitais (continuam sendo produzidas com a marca Kodak, mas por outra empresa), filmes, scanners, câmeras de vídeo portáteis e nada menos do que 525 milhões de dólares (aproximadamente R$ 2,8 bilhões) em patentes vendidas à Apple, Amazon, Adobe, Facebook, Google, Microsoft e Samsung. A causa desta queda foi a incapacidade de a empresa antecipar o acirramento da competição no mercado de imagens digitais, que acabou por se tornar o mercado mais relevante e dinâmico no setor de imagens. Em função disto, a empresa acabou por se tornar obsoleta e não competitiva. Independentemente de ser líder e uma grande empregadora, a Kodak foi incapaz de observar com clareza as tendências de seu próprio setor.

Seu fracasso foi um golpe para a cidade de Rochester, no estado de Nova York, uma cidade menor do que Petrópolis (Rochester possui pouco mais de 205 mil habitantes, contra 305 mil em nossa cidade). Contudo, Rochester conseguiu superar o golpe desenvolvendo o polo tecnológico do setor de imagens, com organizações como a High Tech Rochester que estimula startups locais, a ponto de hoje a cidade ser conhecida como a capital mundial da imagem, segundo a Wikipedia. Por sinal, ainda segundo a Wikipedia, o investimento em tecnologia teria tornado a Universidade de Rochester o maior empregador da cidade já em 2006, superando então a Kodak.

Como escrevi no último artigo é preciso, portanto, elaborar uma estratégia de seleção, inovação e desenvolvimento das indústrias de Petrópolis, que mapeie as principais tendências nos seus mercados e os principais competidores, antecipando o futuro e garantindo uma posição cada vez melhor para as nossas empresas nele. Isso somente pode ser feito em conjunto com as empresas, por meio de diálogo com as instituições de ensino e pesquisa da cidade.



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