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  Colunistas
Ronaldo Fiani
COLUNISTA

 

O Mercado de Trabalho e o Desenvolvimento de Petrópolis

 

Hoje vou tratar de um assunto da maior importância na vida das pessoas: o mercado de trabalho. O comportamento do mercado de trabalho determina quantas pessoas conseguem emprego e sob que condições (remuneração, duração da jornada de trabalho, benefícios adicionais etc.). O mercado de trabalho também determina o tipo de emprego que será oferecido (empregos com maior ou menor nível de qualificação, com maior ou menor estabilidade).

No mercado de trabalho, como em todo mercado, há oferta e demanda. A oferta de trabalho é composta pelas pessoas que buscam empregos em uma determinada região, em um determinado período de tempo. A demanda por trabalho é composta pela demanda das empresas pelos vários tipos de profissionais, também em uma determinada região e em um determinado período de tempo.

Assim, o funcionamento do mercado de trabalho e suas características estão diretamente ligados ao funcionamento da própria economia. Se a economia vai bem, a demanda por trabalho aumenta e mais pessoas encontram emprego, até com salários mais altos. Além disso, processos de desenvolvimento se caracterizam por uma mudança na composição da demanda por trabalho, aumentando a parcela de trabalho qualificado (com carteira assinada e remuneração mais elevada) no volume total de trabalho demandado pelas empresas.

O mercado de trabalho pode ter uma dimensão nacional (por exemplo, o mercado de trabalho brasileiro), regional (o mercado de trabalho na região sudeste), ou local (o mercado de trabalho em Petrópolis, por exemplo). Hoje vou tratar do mercado de trabalho em Petrópolis. A escolha deste tema não deriva apenas da importância do funcionamento do mercado de trabalho para o bem-estar dos petropolitanos, mas também de sua importância para o desenvolvimento da cidade.

Além de determinar o nível de emprego na cidade, as características do mercado de trabalho determinam também as possibilidades de desenvolvimento de Petrópolis. Isso porque vários economistas, desde meados do século passado perceberam que o desenvolvimento envolve o que se chama complementaridades. Em economia, diz-se haver uma complementaridade sempre que a realização de investimento em uma atividade exige o investimento em outra atividade, e vice-versa. Por exemplo, a construção de ferrovias exige o investimento em siderúrgicas, caso contrário não haverá aço para construir trilhos. Por outro lado, o investimento em siderúrgicas exige a construção de ferrovias para o transporte dos insumos para a produção de aço (carvão e ferro).

Quando há complementaridades, há uma dificuldade para a promoção do desenvolvimento econômico: a interdependência dos investimentos exige que eles aconteçam mais ou menos simultaneamente. Voltando ao exemplo da ferrovia e da siderurgia, pode acontecer que não seja possível construir a ferrovia porque não há aço, e não seja possível produzir aço porque não há ferrovia para levar os insumos até a siderúrgica! Assim, a complementaridade dos investimentos pode criar um círculo vicioso difícil de romper.

Este é o problema que o mercado de trabalho em Petrópolis enfrenta. Temos um polo tecnológico com algumas empresas na cidade, mas não temos pós-graduações (especialmente doutorados) formando engenheiros e cientistas especializados. Com isso, cria-se, portanto, um círculo vicioso: o número de empresas de tecnologia de ponta na cidade não se expande, porque não há massa crítica de profissionais doutores, e não se criam doutorados porque não há demanda suficiente por estes profissionais em Petrópolis.

Pior ainda, nossos melhores jovens migram para outras cidades em busca de empregos mais qualificados, especialmente grandes centros como Rio de Janeiro e São Paulo, e a oferta no mercado de trabalho na cidade acaba por ser composta majoritariamente por trabalhadores pouco qualificados, apesar a presença importante do Senai em Petrópolis, e de escolas técnicas e faculdades de qualidade. É preciso uma liderança na cidade que faça conversarem empresas, universidades e institutos tecnológicos, para romper este círculo vicioso.

 

 

 



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