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  Colunistas
Ronaldo Fiani
COLUNISTA

 

Tornar Petrópolis uma Cidade Produtora de Conhecimento para Salvá-la

Ao longo do século XX, a maneira de enriquecer e desenvolver uma cidade era atrair capital, ou seja, investimentos para a construção de grandes fábricas, que geravam muitos empregos, aumentavam a renda local e ampliavam a arrecadação de impostos. Este foi o processo de desenvolvimento adotado no país e também aqui em Petrópolis. No caso de nossa cidade, o investimento em grandes fábricas aconteceu desde o final do século XIX. Este desenvolvimento pela atração de capital foi responsável pela construção de várias indústrias, que asseguraram uma qualidade de vida elevada e hoje deixaram apenas seus prédios abandonados em vários bairros de Petrópolis.

Este padrão de desenvolvimento foi duramente afetado por uma série de eventos adversos. Em primeiro lugar, a abertura comercial às pressas feita logo no início dos anos 1990, particularmente no setor têxtil, que era parte importante da atividade industrial em Petrópolis. Desde então, a manutenção do dólar desvalorizado e a expansão da indústria chinesa a partir de enormes economias de escala proporcionadas pelo tamanho da população do país, mão de obra barata, falta de regulamentação ambiental e trabalhista (regulamentação que torna a produção em outros países mais cara), e uma taxa de câmbio que desvaloriza artificialmente a moeda do país e torna suas exportações ainda mais baratas prosseguiram devastando a indústria do país e de Petrópolis em particular.

Nessas condições, não é razoável esperar um retorno ao padrão de desenvolvimento vivido no século XX, essencialmente baseado em grande indústria, ainda mais porque a produção de bens industrializados para o mercado global vem se expandindo para além das fronteiras chinesas neste começo de século XXI, incluindo países da Ásia como o Vietnã e o Camboja, e até da África, como a Etiópia. A concorrência na produção para o mercado global vai se acirrar cada vez mais, tornando estas mercadorias cada vez mais baratas e as importações para o mercado brasileiro cada vez mais difíceis de bater na competição.

O que resta para as cidades neste quadro global adverso, e em particular para Petrópolis? Aqui é fundamental perceber que ao mesmo tempo em que setores tradicionais vêm oferecendo cada vez menos oportunidades de desenvolvimento, as novas tecnologias batizadas de “indústria 4.0”, que incorporam comunicação digital à oferta de bens e serviços abrem novas oportunidades.

Eis alguns exemplos, somente para vislumbrar o novo cenário que estas tecnologias vão oferecer. Com a indústria 4.0, fábricas serão conectadas por sistemas digitais que vão acionar as máquinas em estabelecimentos que se encontram em locais diferentes, sem a intervenção humana, possibilitando distribuir coordenadamente a produção ao longo da cadeia de fornecedores, empregando tão-somente aquelas fábricas que proporcionam os menores custos, qualquer que seja o país em que elas estejam localizadas. A tecnologia digital também vai permitir ao consumidor encomendar o produto que desejar, customizado da maneira que preferir, de qualquer produtor no mundo que ofereça o menor preço. Este produtor, por sua vez, utilizando impressoras 3D vai conseguir ao mesmo tempo produzir em larga escala e de forma customizada, algo impossível com as tecnologias tradicionais.

O efeito destas novidades tecnologias vai ser concentrar ainda mais a produção global nos poucos países e cidades que conseguirem desfrutar das maiores economias de escala. Vale dizer, a se manter o quadro atual, a produção deve se concentrar ainda mais na Ásia, com algumas “ilhas” industriais em países da África. Setores tradicionais no comércio e na indústria serão devastados, e empregos serão destruídos em grande escala. O que resta a Petrópolis fazer?

Ocorre que, ao mesmo tempo que setores tradicionais serão duramente afetados, novas atividades e novos serviços serão criados com essas novas tecnologias digitais de informação e comunicação. Por exemplo, com relação ao acionamento das máquinas, será necessário desenvolver programas que permitam a comunicação entre os equipamentos e a transferência de dados de forma segura; com relação à encomenda de um produto customizado de um fornecedor global será necessário desenvolver programas e equipamentos que permitam a encomenda e pagamento de forma segura, assim como a definição das caraterísticas do produto de forma correta (o que pode envolver o uso de realidade virtual).

Tudo isso cria novas atividades econômicas, que oferecem oportunidades de emprego e de lucros elevados, ainda mais porque o mercado para estes novos produtos será global, uma vez que software pode ser baixado em qualquer lugar do mundo. Mas só poderá participar destes novos mercados quem for produtor de conhecimento. A partir de agora, mais importante do que reunir capital para construir grandes indústrias, será crucial desenvolver e acumular conhecimento. Somente se Petrópolis produzir conhecimento será capaz de salvar a renda e o emprego na cidade.

 



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