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  Colunistas
Ronaldo Fiani
COLUNISTA

 

O Tsunami Tecnológico Vai Devastar os Centros Urbanos

Nos últimos artigos tenho discutido as novas tecnologias digitais de comunicação, que combinadas com a inteligência artificial (a chamada indústria 4.0) vão verdadeiramente arrasar vários setores da economia e os empregos neles gerados, tornando boa parte das atividades que conhecemos obsoleta, quase que do dia para a noite. No último artigo mencionei brevemente que os centros urbanos também serão duramente afetados. Hoje vou tratar com maior detalhe deste último ponto.

Na maior parte das cidades, especialmente nas cidades médias como Petrópolis, o centro urbano é ocupado e moldado por três tipos de atividades: pequeno comércio, escritórios e consultórios médicos. No caso de Petrópolis, por exemplo, temos um casamento perfeito dos sobrados no Centro histórico com as pequenas lojas de comércio, escritórios e consultórios, não obstante as dificuldades de acessibilidade com as longas escadas estreitas de acesso ao segundo andar. Além dos sobrados históricos, vários prédios abrigam escritórios de advocacia e contabilidade, assim como consultórios médicos e dentários.

Assim, os centros urbanos acabam sendo o centro nervoso da economia nas cidades médias: embora concentrem atividades econômicas de pequena escala, que individualmente movimentam somas mais reduzidas quando confrontadas com grandes indústrias e o grande comércio, sua concentração em um local delimitado acaba gerando uma movimentação econômica significativa.

Dito de outra forma, se essas atividades se espalhassem pelos bairros de Petrópolis, a movimentação econômica da cidade seria muito menor. É a própria concentração e movimentação de pessoas nos centros urbanos que acaba justificando o próprio comércio, os consultórios e os escritórios: como está tudo concentrado em um ponto, todas as pessoas convergem para o mesmo lugar e isso acaba gerando demandas adicionais.

Por exemplo: a ida a um consultório gera uma compra em uma loja próxima, ou uma visita a um escritório de contabilidade ou advocacia para tratar de um problema que talvez nem fosse enfrentado tão cedo. As pessoas economizam seu dinheiro tratando de tudo no mesmo lugar, e isso ajuda a gerar demandas para vários negócios. Não só a economia local, como a própria configuração do espaço urbano são o resultado desta aglomeração de pequenos negócios nos centros urbanos.

Mas um tsunami se aproxima deste arranjo econômico-espacial. Ele será provocado pelas tecnologias digitais de comunicação, que juntamente com inteligência artificial vão atingir duramente o pequeno comércio, os escritórios que prestam serviços e até mesmo os consultórios médicos.

O pequeno comércio já vem sendo afetado pela expansão das compras on line, que foi provocada pela pandemia. Isto tende a se agravar, à medida que essas compras pela internet vão favorecer cada vez mais as grandes cadeias de lojas, que fazem encomendas em grande quantidade e obtém preços mais vantajosos dos fornecedores, que são repassados aos seus clientes (as chamadas economias de escala pecuniárias, no jargão dos economistas). Com isso a receita gerada pelo pequeno comércio vai diminuir. Lojas fecharão, e começará um movimento de esvaziamento dos centros urbanos e de queda da arrecadação.

Mas não apenas o pequeno comércio será afetado. Os escritórios de advocacia e contabilidade vão explorar cada vez mais as vantagens do trabalho remoto e das teleconferências com clientes. Com isso, serão necessárias menos salas, o que vai gerar desocupação em imóveis comerciais, com redução de aluguéis e do pagamento de IPTU, diminuindo a renda de quem investiu neste tipo de imóvel e a arrecadação das prefeituras.

Também os consultórios vão perder um pouco a razão de ser com o avanço das novas tecnologias digitais e da inteligência artificial. A telemedicina vem avançando rapidamente, e nos países desenvolvidos já é possível se consultar com um médico até mesmo de outro país, ou fazer alguns diagnósticos remotamente. Isso também vai esvaziar os centros urbanos, reduzindo a atividade econômica e também a arrecadação de impostos. Por conta desses efeitos adversos, a tendência é que os centros urbanos, especialmente aqueles de cidades médias se tornem “zonas fantasmas”, com lojas, salas e até imóveis inteiros vazios.

Qual a resposta para este quadro desanimador? É preciso que as prefeituras e a administração municipal de Petrópolis em particular comecem a elaborar planos para a ocupação dos centros urbanos com empresas e atividades que tendam a crescer com as novas tecnologias, sejam elas diretamente vinculadas à produção de tecnologias digitais, sejam como produtoras de conteúdo para ser vinculado por essas tecnologias digitais.

Não podemos deixar o Centro Histórico de Petrópolis morrer neste tsunami.

 



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