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  Saúde

Sol e calor podem provocar danos à saúde dos olhos

Conjuntivite é a doença ocular que mais afeta os brasileiros durante o verão

Leticia Knibel – especial para o Diário


 Com a chegada do verão, os especialistas sempre aumentam os alertas para os cuidados com a pele e a alimentação. Porém, a exposição excessiva ao sol e calor, bem como a permanência em espaços com aglomeração, também pode provocar danos a saúde dos olhos.

- As principais doenças oculares nesta época do ano são aquelas que são transmitidas devido à aglomeração e calor, pois favorecem a proliferação de vírus e bactérias. Sendo assim, o contato com água contaminada, piscinas e praias também facilita as doenças. Podemos dizer que as mais comuns são as conjuntivites virais e bacterianas, e até mesmo as alérgicas – explica Ingrid Alves Sylos, oftalmologista e Fellow de Oculoplastia.

O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) classifica essa doença como uma inflamação da conjuntiva (a parte branca dos olhos). É altamente contagiosa e de fácil disseminação. E dentre os sintomas mais comuns estão: sensação de areia nos olhos, secreção, lacrimejamento, vermelhidão e coceira.

- Os principais cuidados são aqueles que diminuem a chance de transmissão e até mesmo o contato com alérgenos (são substâncias dos alimentos, plantas ou de animais que provocam uma reação exagerada do sistema imunológico e causam a inflamação). Ou seja, evitar levar as mãos aos olhos, coçá-los, compartilhar toalhas, se atentar aos cuidados com lentes de contatos, evitar uso de protetor solar próximo aos olhos, evitar o excesso de contato com cloro de piscina, entre outros – destaca Sylos. O contágio ocorre principalmente entre as pessoas e fômite (objeto ou material suscetível de alojar e transmitir um agente infeccioso).

Caso a pessoa tenha alguns dos sintomas acima descritos, a orientação é para procurar um médico rapidamente e evitar se automedicar. “O maior e mais grave risco para aqueles que não buscam tratamento adequado seria o aparecimento de uma úlcera de córnea e perfuração ocular. Mas também temos que levar em consideração o agravamento de uma conjuntivite e a transmissão para outras pessoas. Já que a falta de tratamento e/ou tratamento incorreto, pode levar a piora do quadro e ainda assim manter o contágio entre pessoas”, explica a oftalmologista.

A especialista ressalta que, nesta época do ano, os raios UV estão mais fortes, o que pode provocar alterações na mácula. “Por isso, é importante o uso de óculos escuros com fatores de proteção UVA e UVB, com garantia, comprovação e sob orientação médica”. Além disso, parte dos processos alérgicos – e até mesmo infecções severas - são provocados justamente pela exposição constante a áreas de praia e piscina, caso a água esteja contaminada.

- Outro fator que influencia diretamente a saúde ocular é a alimentação. Os diabéticos devem ter maior atenção ao controle glicêmico e procurar controlar/acompanhar com um médico endocrinologista corretamente para evitar quaisquer problemas – destaca Sylos.

A oftalmologista também ressalta os cuidados que usuários de lentes de contato devem ter principalmente neste período. “Como essas pessoas possuem um elemento estranho nos olhos, sua chance de contaminação é muito maior do que em pessoas que não fazem uso. A higiene deve ser feita corretamente. Procure auxílio de um oftalmologista caso você tenha dúvidas de como fazer a correta higienização”.

- Esse público não deve fazer uso de lente de contato em piscinas, mar e cachoeiras em condição alguma, pois tem maior chance de desenvolver infecções graves, de difícil tratamento na maioria das vezes, podendo levar a úlcera e até mesmo perfuração de córnea. Tais pacientes jamais devem dormir de lente! Essa prática também facilita o aparecimento de infecções graves e lesões corneanas – orienta Ingrid.

A especialista conta que atendeu uma paciente usuária de lente de contato estética que acabou desenvolvendo úlcera de córnea em apenas um olho. O tratamento foi longo e o quadro foi revertido com a orientação correta. Infelizmente, a pessoa ficou com uma cicatriz na córnea, mas que não afeta sua visão.

 Sobre o pterígio

Também conhecida como “carne nos olhos”, o pterígio é uma doença ocular caracterizada pelo surgimento/crescimento de uma membrana fibrovascular sobre a córnea, que invade a superfície do olho, avançando em direção ao centro da vista, podendo atingir a pupila.

- Tal doença é agravada devido à (longos períodos de) exposição diária ao sol, sem proteção de óculos. A única forma de tratamento é por meio da cirurgia, que retira a lesão, mas, mesmo assim, o problema pode retornar. As lesões costumam voltar depois da retirada cirúrgica, mas, geralmente, demoram a retornar – destaca Ingrid.

É uma doença crônica, de crescimento lento e progressivo, e nem todos os casos tem indicação cirúrgica. “Somente quando a lesão está maior, podendo afetar o eixo visual, que indicamos o procedimento, pois o mesmo deixa uma cicatriz na córnea. Muitos não querem realizar a operação, mas é essencial que seja feita. Quando o pterígio é bem pequeno, podemos tratá-lo com a aplicação de um lubrificante específico até chegar no estágio ideal para a cirurgia”, conclui a especialista.



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