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  Tecnologia

Tecnologia para tornar a cidade mais inteligente

Ferramentas auxiliam gestão pública e garantem respostas mais rápidas na prestação dos serviços

Philippe Fernandes

Quem lida com o mundo da tecnologia já ouviu falar na “quarta revolução industrial”, que inclui uma série de fatores, como a robotização, a nanotecnologia, o “big data” e a internet das coisas. Em um contexto onde o mundo digital interage cada vez mais com a vida real das pessoas, surgiu uma ideia que pode ser usada como ferramenta fundamental para planejar e desenvolver os municípios, através de dados e soluções que melhoram a qualidade de vida dos moradores, além de acelerar os processos das gestões públicas, geralmente emperrados pela burocracia e pela estrutura arcaica do poder público: o conceito de “cidades inteligentes”.

 CLÁUDIO ROSA, engenheiro e consultor do Serratec, ministrou palestra em Nova Friburgo recentemente sobre o assunto

As "smart cities" transformam o espaço urbano um verdadeiro laboratório, com a utilização de ferramentas tecnológicas e suas informações, que se revertem em ações efetivas de gestão pública. Profissional com larga experiência no setor, atuando na execução e na gerência de redes locais, metropolitanas, de longa distância e na gestão de empresas públicas e privadas de diversos setores, o consultor do Parque Tecnológico da Região Serrana (Serratec), Cláudio Rosa, explica como isso pode ser utilizado nos municípios, fomentando o setor de tecnologia e garantindo a eficiência das ações do poder público.

- A princípio, o nosso objetivo é gerar o fomento das atividades econômicas para resgatar o mercado do nosso Estado, que segue retraído. Apesar de o momento ser conturbado, temos a necessidade de melhores serviços e produtos. A questão das cidades inteligentes é uma prateleira de soluções, pois a internet das coisas faz a junção da possibilidade de reativar a economia com soluções práticas – destacou.

Cláudio destaca que as soluções que a internet das coisas oferece podem ser aproveitadas em praticamente todas as áreas.

- As soluções dentro do conceito de cidades inteligentes estão em diversos setores importantes para a sociedade, como transporte, educação e segurança. Se você for olhar, o que significam as “coisas” da internet das coisas? Tudo. Pode ser o rastreamento dos ônibus por GPS, o uso das bicicletas, a medição da contenção de uma encosta, a medição do volume de chuva, a interligação destas informações com um radar meteorológico autônomo, e por aí vai. São muitas oportunidades – disse. 

Dentro deste contexto, Cláudio propõe que a discussão saia do campo teórico para a prática, conectando o setor produtivo, que dispõe da tecnologia; o governo, que tem a incumbência de implantar esse sistema; e toda a sociedade, que precisa de serviços públicos de maior qualidade.

- Apesar de estarmos vivendo uma crise generalizada, não tenho nenhuma dúvida de que temos uma oportunidade de fazer deste limão uma limonada, desenvolvendo e pegando a demanda reprimida. Tenho 55 anos e há mais de 40 ouço que o Brasil é o “país do futuro”. Temos que sair do “futuro” e fazer no presente, agir – afirmou.

Uma das soluções simples que pode ser aplicada é a adoção de um sistema de lógica de controle para adolescentes, dentro de sala de aula. O Arduino, projeto italiano que tem custo de cerca de R$ 40 por aluno, propicia noções de robótica.

- Qualquer escola pública pode ter um laboratório de internet das coisas. É fácil e rápido de trabalhar isso, com o treinamento dos profissionais - disse.

Bons e maus exemplos

Em entrevista ao Diário, Cláudio Rosa destacou o município de Niterói como um exemplo de cidade que investe em tecnologia e inteligência. No ano passado, a cidade da região metropolitana entrou, pela primeira vez, no Ranking Connected Smart Cities 2018, realizado pela Urban Systems. Niterói foi a 10ª mais bem colocada, entre 700.

- Niterói está desenvolvendo um trabalho extremamente interessante, utilizando uma estrutura de geolocalização como base para uma série de serviços. Hoje, a cidade toda está mapeada, desde as frotas, até localização da evasão escolar. O gestor tem à disposição, por exemplo, as informações sobre quem está morando perto de qual serviço público – disse Cláudio Rosa.

Se Niterói está se tornando um exemplo de cidade inteligente, a capital do Estado deu uma demonstração negativa nesta semana. As fortes chuvas de quarta-feira (10), a pior em 22 anos, deixaram dez pessoas mortas e mostraram que a cidade do Rio tem sérios problemas tanto com relação à prevenção quanto no tocante às respostas.

- O Centro de Operações da cidade do Rio foi desenvolvido com todos esses conceitos de cidade inteligente, mas é o que eu costumo falar sobre o que é necessário e o que é suficiente. Tudo é necessário? Sim. É o suficiente? Ficou claro que não, com as chuvas. É inadmissível que o Centro de Operações não trabalhe de forma preventiva. É preciso sair do caráter mediador para o preventivo. As ferramentas estão à disposição, mas a abordagem precisa ser diferente. Não adianta dizer que vai chover daqui a algumas horas, pois já não há mais tempo para executar as ações de prevenção. A Defesa Civil precisa trabalhar com antecedência – disse Cláudio.

Eficiência na gestão

Outras cidades são freqüentemente citadas como exemplos de municípios que fazem uma gestão inteligente através do uso da tecnologia. Curitiba, por exemplo, continua sendo uma referência para o Brasil no tocante à mobilidade urbana. A gestão de Buenos Aires, por sua vez, investiu na criação de aplicativos onde o Governo da Cidade pode informar, de forma rápida, sobre qualquer problema na estrutura urbana. A capital argentina também usou a tecnologia para mitigar os transtornos das constantes inundações, integrando a tecnologia com o sistema de manutenção da cidade, cobrindo ruas, calçadas, semáforos, jardins e árvores. Os dados passados por sensores instalados em bueiros, em dias de chuvas torrenciais, nortearam a limpeza de ruas e sistema de dragagem. Isso acabou com as inundações nas regiões testadas.

O consultor destacou a importância que este tipo de ferramenta tem para facilitar o direcionamento de políticas públicas, tornando a prestação de serviços ao cidadão mais eficiente. Ele destaca que a internet das coisas é uma “motivação” para que as ferramentas de inteligência sejam aplicadas.

- Este é um trabalho que precisa ter sustentabilidade, e, para isso, a sociedade precisa abraçar. A ideia das cidades inteligentes é melhorar a qualidade de vida do cidadão. São pequenas coisas que a tecnologia proporciona que fazem a diferença, como, por exemplo, saber se o ônibus que você está esperando vai sair em cinco minutos ou em meia hora. E nós temos a possibilidade de termos soluções brasileiras para desenvolver este tipo de projeto – lembrou o consultor.



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