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  Cidade

Tragédia do Caxambu completa um ano neste domingo

Moradores ainda enfrentam transtornos e aguardam a ação do poder público

Natália Rodrigues - natalia.rodrigues@diariodepetropolis.com.br

 

Enquanto a maioria dos petropolitanos está aproveitando o feriado prolongado de Carnaval, algumas pessoas não têm tantos motivos para comemorar assim. Neste domingo está completando um ano da tragédia causada pela cabeça d’água que atingiu a cidade na tarde do sábado, no dia 3 março do ano passado, causando grande destruição nos bairros Caxambu e Bela Vista e provocando a morte de uma pessoa. Na época, o Ministério de Integração Nacional destinou para a reconstrução das localidades R$ 4,5milhões, mesmo assim os moradores ainda enfrentam dificuldades e aguardam benfeitorias.

Quem não vai esquecer esse dia é a ex-agente de saúde Claudete das Graças de Oliveira, moradora há 43 anos da localidade das Três Pedras, no Caxambu, que presenciou toda a destruição da comunidade.


 - Foi um dia terrível que jamais esqueceremos, moro em frente ao ponto onde começou a tromba d’água. Agora, quando chove mais forte fico muito preocupada, principalmente por que vejo a quantidade de água que desce pela estrada. E as chuvas de março são normalmente as mais intensas. Não me sinto segura, sem contar que o solo está encharcado e como nada tem sido feito por aqui, fico com medo de tenha um chuva como aquela e cause mais destruição – falou.

A aposentada explica que obras de recuperação foram realizadas pela comunidade, mas se preocupa pelo fato de o ponto onde iniciou a cabeça d’água não ter recebido qualquer melhoria.

- A Prefeitura fala que já concluiu os trabalhos e muita coisa foi feita, mas só até a igreja católica. Acho que tinham que começar a consertar desde onde começou a tromba d’água, porque quando chove vejo da minha casa o tanto de água que desce pela rua. Colocaram manilhas, mas tinham que endireitar a situação do rio, que melhorou, mas a água ainda escorre rua abaixo e entra na casa dos moradores. E eles ainda afunilaram o rio, quando fizeram contenções. O certo seria construir muros de contenção nas margens de todo o rio só que de uma forma que não estreitasse, porque sem isso, a chuva vem e carrega sempre mais um pouco de terra, leva os canteiros de horta e estraga mais a estrada- disse.

Adriana Barcelos Martins, autônoma, também mora nas Três Pedras e foi uma das afetadas pela enxurrada que atingiu o Caxambu. Na ocasião, um galpão onde funcionava uma lavanderia foi destruído, ela junto a outros moradores contrataram máquinas para retirar toda a lama do espaço e liberar a passagem.


 - A água entrou em na minha casa, consegui salvar muita coisa, mas perdi o sofá e outros móveis da sala. Tenho uma lavanderia no galpão ao lado de casa onde a água entrou de um lado e saiu do outro lado destruindo os meus dois portões. Tivemos que arcar com as despesas contratamos um trator para poder tirar a lama do galpão. O que nos preocupa é que nada foi feito no início, fizeram muros de contenção, mas só lá embaixo aqui não tivemos assistência, a estrada está ruim, se tem algo feito foi graças aos moradores que jogam entulhos, fazem um concreto para tentar amenizar a situação, mas fica difícil estamos abandonados – contou.

Bela Vista também foi afetado

Apesar do Caxambu ter sofrido grande destruição, o Bela Vista, localizado na região do Itamarati também foi prejudicado. A autônoma Elaine de Fátima Souza teve a casa em que vivia com mais três pessoas localizada na Estrada Alberto Pullig, destruída por uma grande pedra.

- Naquele dia estava em casa com minha neta, foi algo assustador que jamais irei esquecer, porque você nunca pensa que pode acontecer com você, nunca esperava presenciar uma situação dessas.  Fico com medo dessas chuvas que têm caído na cidade, de que aconteça novamente e que mais pedras caiam porque se acontecer irá atingir muitas casas – relatou.

A casa da Elaine era própria, depois da tragédia, ela alugou uma residência próxima a antiga e aguarda a liberação do aluguel social.

- Perdi tudo na minha casa, além da pedra teve ainda os entulhos, mas era casa própria, hoje pago aluguel, senão não tinha para onde ir com minha família. Fiz o cadastro ano passado para receber o aluguel social, estou aguardando até hoje ser contemplada, quando irá sair não sei, só nos resta aguardar – disse.

Segundo a Prefeitura, todas as 25 obras previstas no Plano de Resposta Pós-Chuva foram finalizadas pela prefeitura em outubro. Dessas, 18 ocorreram no Caxambu – as demais aconteceram na região da Posse, Morin, Corrêas, Itamarati e Bela Vista.

Nesses locais foram realizados serviços como desobstrução e limpeza de ruas, recomposição de acessos, construção de muros de contenção e sistema de drenagem, limpeza de córrego, desobstrução de galerias de águas pluviais. Para o Caxambu, foram destinados pelo então Ministério da Integração Nacional R$ 2,9 milhões nessas obras, e mais R$ 1,6 milhão para as demais localidades.

Só na localidade conhecida como Três Pedras, foram feitos sete muros de gabião e limpeza de córrego, para evitar que as pedras arrastadas pela chuva pudessem atrapalhar o curso da água e causar novos alagamentos e desobstrução de galerias de águas pluviais.

O município aguarda a liberação de recursos pelo governo federal dentro do Plano de Recuperação e Reabilitação, que prevê mais 18 intervenções nos locais atingidos pelas chuvas de março do ano passado. Essas obras somam quase R$ 3,8 milhões para obras de contenção, sistema de drenagem, recomposição de servidões e reconstrução de uma ponte.

Quanto a manutenção viária, o Caxambu recebeu o serviço diversas vezes desde a chuva do ano passado. Locais como a Rua Francisco Peixoto da Costa, Bartolomeu Sodré, Estrada do Caxambu e Santa Isabel são algumas das que receberam o serviço. Na região de Santa Isabel, o serviço foi feito pela última vez no início de fevereiro. Ainda assim, a Secretaria de Obras vai incluir o local novamente na programação de serviços das equipes de manutenção viária.



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