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  Cidade

Tragédia do Vale do Cuiabá completa 10 anos amanhã

Wesley Fernandes – especial para o Diário/Foto -Alan Alonso

 Localidade conhecida como Buraco do Sapo. Foto - Alan Alonso

Na mais tradicional e turística cidade da Região Serrana do Estado do Rio de Janeiro, o início de 2011 entrou para a história, entretanto, naquele ano, por uma das maiores tragédias climáticas que já assolaram o município de Petrópolis. Tudo começou na região do Vale do Cuiabá, em Itaipava, na noite do dia 11 de janeiro com um forte temporal que adentrou a madrugada do dia 12, fazendo morros deslizarem e provocando uma avalanche de lama que arrastou tudo que estava a sua frente. Passados dez anos, o local ainda guarda marcas físicas da tragédia que matou 72 pessoas e deixou mais de mil famílias desabrigadas.

Terça-feira, 11 de janeiro de 2011. O que era pra ser mais um dia comum de verão em Petrópolis, se transformou em dor e sofrimento para diversas famílias e a cidade como um todo, que assistia o início de mais uma tragédia climática. Uma enxurrada de lama e água, provocada pela chuva forte e o deslizamento de encostas, atrelado ao transbordado ao rio Santo Antônio, foi destruindo casas, arrastando carros e causando inundações, sem distinguir áreas, classes sociais e idades. Os petropolitanos não tinham visto algo parecido desde a tragédia de 1988, que matou 134 pessoas na cidade.

Na época, famílias inteiras morreram soterradas. Foi o triste caso da estilista e designer Daniela Conolly, de 39 anos, que morreu soterrada no sítio onde estava hospedada em Itaipava. Na casa ainda estavam seu pai, sua mãe, seu marido e o filho, de apenas dois anos. Todos morreram após uma parte do imóvel da família desabar. Os três sobrinhos de Daniela e a babá da família também perderam a vida naquela noite.

Muita gente dormia quando suas casas foram atingidas, por volta das 03h, e não tiveram tempo se quer de deixar os imóveis ou pedir socorro. Com os deslizamentos de barreiras e morros, as galerias de águas pluviais foram totalmente obstruídas por terra trazida das encostas, entulho e lixo, o que piorou as inundações. Estradas e pontes foram destruídas deixando a região do Vale do Cuiabá isolada.

Em entrevista ao Diário de Petrópolis, o administrador de empresas Adalberto Cabral Motta, de 61 anos, conta que fez a graduação como uma forma de “voltar a pensar” após a tragédia. Motta perdeu cinco pessoas da família: mãe, irmã, irmão, tio e primo. Além destas doloridas partidas, ainda viu ir embora a construção familiar de 50 anos, um mercadinho mantido pelos parentes. “É uma data bem pesada. É o fim do início. Tudo se termina ali e uma nova fase começa. É uma fase muito difícil, a gente fica sem saber o que fazer. É muito complicado. Eu fiquei sem chão e sem rumo, sem saber o que fazer e nem para onde ir. E uma data que pesa para todos”, lamentou.

Adalberto também conta que ainda a recuperação foi dolorosa. Até hoje, afirma que não consegue pensar em números para apontar a perda material, pois fica “arrasado”. Ele explica que “bloqueou” o raciocínio para não pensar no que havia ocorrido. “A recuperação é difícil. Fiquei sem chão e sem rumo. Você fica perdido. Levou uns seis meses para a ficha cair. Quando caiu, caí junto. Não tem como manter. Consegui me manter razoavelmente bem, mas bloqueei o raciocínio. Era o único jeito de se manter em pé. Meu primo que foi arrastado pela água até hoje tem pesadelo e vira e mexe, acorda assustado”, disse.

Segundo o administrador de empresas, o terreno pertencia a sua bisavó e nunca tinha acontecido algo assim. Mas ele acredita que as mudanças climáticas podem influenciar em uma nova enxurrada. “O terreno era da minha bisavó, há mais de 100 anos. Nunca houve isso dali. Mas, pode ter a segunda queda dessa imensidão de água. O clima está mudando muito rápido. Acredito que o ensinamento foi de, em caso de chuva forte, procurar ficar em casa, não sair, em um canto quieto, porque as ruas estão perto dos rios e os riscos são grandes. Ali era seguro, até 2011, ninguém imaginava algo assim”, finalizou afirmou.

Além de Petrópolis, os municípios de Teresópolis e Nova Friburgo também foram atingidos pelo temporal. Nessas três regiões, mais de 900 pessoas morreram e cerca 400 mil moradores ficaram desabrigados.

Moradias entregues

Passados 10 anos, algumas famílias já foram contempladas com novas moradias nos conjuntos habitacionais da Posse do Vicenzo Rivetti, entretanto, muitas delas ainda continuam recebendo aluguel social, aguardando a chave da casa própria prometida pelos governos Estadual e Federal. De acordo com o governo do Estado do RJ, será solicitado ao Governo Federal recursos para novas licitações para a construção de 330 imóveis em Petrópolis

Sede do governo do RJ na Região Serrana

Esta semana, o governador do Estado do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, decretou a transferência da sede do Governo do Estado para a Região Serrana e luto oficial deste domingo (10) até terça-feira (12), para marcar os 10 anos da tragédia causada pelas chuvas. No domingo, depois de participar de um ato ecumênico em memória às vítimas no Cristo Redentor, o governador sobrevoará as cidades de Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo para vistoriar obras nas áreas.  A previsão é que sejam investidos mais de R$ 500 milhões nas cidades. Além disso, o governo vai aplicar R$ 280 milhões através do Plano de Contingência para as Chuvas de Verão, que beneficiará todo o estado

Em Petrópolis, na terça-feira, será realizada uma cerimônia de luto às vítimas das chuvas de 2011. Também serão entregues cheques do Agrofundo para famílias de agricultores da cidade, somando R$ 1 milhão.

O governo anunciará também as obras de recapeamento da RJ-134, no trecho entre Pedro do Rio e Posse. Cláudio Castro ainda se encontra com empresários locais para estimular o desenvolvimento econômico da região e inaugura a Casa do Trabalhador.  

 



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