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  Mulher

Violência contra mulher não é apenas física

Wellington Daniel


 Segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP), 861 mulheres foram vítimas de lesão corporal dolosa em Petrópolis no ano passado e 118 foram estupradas. Mas há outras formas de violência, além da física, e que também merecem atenção. Na Lei Maria da Penha são definidas cinco formas de violência doméstica e familiar: emocional ou psicológica, física, sexual, patrimonial e moral.

A psicóloga Elissandra Alves explica que, em um relacionamento abusivo, o parceiro começa a querer manipular a vítima, tendo um controle sobre ela.

- A primeira característica de um relacionamento abusivo é a manipulação. O abusador tenta manipular o parceiro (a) através de um controle de forma geral. Começa também com ciúme, não apenas de alguém do sexo oposto, mas familiar, de relações profissionais e de amizade – explica.

Segundo Elissandra, também há a chantagem emocional e um desprezo pelas conquistas e opiniões do outro. É um conjunto de agressões psicológicas, que é difícil de se livrar sozinho.

- Às vezes, as pessoas acham que o relacionamento abusivo vem acompanhado de agressão física ou verbal. Nem sempre. O abusador pode usar de muita chantagem emocional e como é um manipulador, utiliza-se disso sem que o outro perceba. Ele também começa a colocar a sua opinião como verdade e a desprezar a do parceiro. Diminui as conquistas e os elogios. Muitas vezes, a vítima precisa de alguém que sinalize, pois demora a perceber o que está acontecendo – diz.

É uma tática também do manipulador, segundo a psicóloga, o isolamento da vítima. Assim, ninguém percebe o que está acontecendo. Pode haver interferências em relações familiares e nas redes.

- O agressor começa a interferir nas relações familiares, porque pessoas de fora podem perceber o que está acontecendo. Então, ele cria prioridade dentro do relacionamento e isola a vítima. Monitora amizades, celular, redes sociais, segue, sempre quer ter o controle – diz.

Uma jovem de 25 anos, que prefere não se identificar, passou por isso. Ela conta que, além de toda a agressão psicológica, ainda sofreu violência sexual.

- No início, era legal. Saíamos ou ficávamos em casa fazendo alguma coisa juntos, se divertindo. Ele dava alguns sinais, mas uma mulher apaixonada não percebe ou acha que vai melhorar. Ele nunca me bateu, mas sempre me agredia psicologicamente. Também me obrigou a ter relações sexuais quando tava doente ou quando não tinha condições nenhuma. Eu fazia chorando – conta, emocionada.

Ela ainda lembra as vezes que ele a traiu e, ao discutirem, colocava a culpa toda em cima dela. Por não conhecer muito bem os aparatos legais que poderiam ser procurados para sua defesa, a jovem foi aceitando todo esse ciclo de violência e sendo afastada de amigos e familiares.

- Ele me traía, na minha frente. Quando eu questionava, falava que a culpa era minha, por causa dos meus defeitos. Eu, desempregada e grávida, e ele não comprava as coisas de casa. Saía e gastava o dinheiro com os amigos dele. E, quando eu reclamava, novamente falava que a culpa era minha e me xingava, me colocava pra baixo. Eu me sentia muito mal e não sabia que podia denunciar, ainda não conhecia a Lei Maria da Penha totalmente – relata.

A vítima conta que só começou a perceber o que estava acontecendo quando começou a se informar. Até que um dia decidiu dar um fim naquilo.

- Comecei a melhorar quando conheci as causas do feminismo. O verdadeiro e não a ideia que as pessoas têm. Comecei a perceber que eu era alguém. Mas não foi do dia para a noite, fui um período, cada dia juntando um “caco” dentro de mim. Eu achava que não conseguiria encontrar alguém melhor que ele. Até que entendi que eu era bonita, inteligente, tinha sonhos e planos e minha vida não iria parar ali e eu não queria que parasse. Foi difícil, ele não queria sair de casa. Tive que morar com meus pais. Mas foi a melhor decisão. Hoje, me sinto feliz e livre – conclui.

O Centro de Referência de Atendimento a Mulher (CRAM), subordinado ao Gabinete de Cidadania, presidido por Anna Maria Rattes, oferece apoio a mulheres que sofreram qualquer tipo de violência abrangido pela Lei Maria da Penha. Toda quarta-feira são realizadas terapias em grupo com uma psicóloga, além de outros trabalhos de assistência social, jurídica e psicológica. O órgão atende de 8h às 17h na Rua Santos Dumont, número 100.

- Num relacionamento abusivo, o homem comanda a vida da mulher. Geralmente, acontece com as mais jovens, pois elas acham que isso é apenas um tipo de cuidado. Quando a mulher chega aqui, após sofrer este tipo de violência, conseguimos constatar a veracidade do fato, pois ela chega em estado deplorável. A violência psicológica é muito grande. O agressor começa a usar os filhos, em muitas vezes – explica a coordenadora do CRAM, Cléo de Marco.

A psicológica Elissandra diz que a situação pode gerar depressão e isolamento social e que as vítimas, por vezes, não conseguem procurar ajuda sozinhas.

- Algumas vítimas não percebem, então gera impacto psicológico muito grande. Ela começa a se achar incapaz e inferior, porque a pessoa em que ela deposita o amor, sempre a coloca para baixo. Pode gerar depressão e isolamento social. A partir do momento que alguém sinaliza ou a “ficha cai”, a pessoa deve procurar um profissional. E aí, terá um trabalho de autoconhecimento e inteligência emocional – explica.

A advogada Natália Siqueira explica como se dá o registro do crime. Para ela, o importante é não aceitar essa situação e denunciar.

- Quando sofre alguma violência e vai fazer o registro, a mulher ainda muda de ideia na esperança do homem se arrepender e voltar atrás. E, infelizmente, por vezes a agressão é repetida. Para registrar, o máximo de provas que conseguir, melhor. Mas o ideal é não ficar parada diante dessa situação e não demorar muito a dar queixa – explica.



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