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  Covid-19 QUARENTENA

“Você não ficou preso em casa, você ficou a salvo em casa”

Pontua Maurício Féo, engenheiro e cientista de dados sobre a quarentena

Camila Caetano – especial para o Diário


 No dia 30 de abril, o engenheiro e cientista de dados Maurício Féo, que faz doutorado em Física de Partículas no Cern - Organização Europeia de Pesquisa Nuclear localizado, em Genebra, na Suíça, publicou um vídeo em seu canal no YouTube falando da importância de se cumprir com as ordens de isolamento para frear a propagação do novo coronavírus e, diante do assunto, ele foi consultado pelo Diário de Petrópolis. Nos dados, analisados por ele, foi possível comparar o crescente número de casos confirmados entre o Brasil e outros países que demoraram um pouco mais para implantar as medidas restritivas, como por exemplo, os Estados Unidos.

Ao passo que o Brasil tinha 79 mil casos confirmados – quando a análise foi feita por ele, nos EUA, os casos positivos da doença já estavam na faixa dos 735 mil. De acordo com dados mais atualizados pelas organizações de saúde dos países e divulgadas no programa de estatísticas do Google neste último domingo, no Brasil, o número de casos confirmados é de pouco mais de 241 mil sendo 94.122 o número de recuperados, enquanto que, nos Estados Unidos, apenas o número de casos recuperados é maior que o de confirmações da doença no Brasil inteiro. Lá, 1,52 milhão de pessoas testaram positivo para o vírus enquanto que 281 mil são os recuperados.

Em seu vídeo, Maurício reiterou que, “você não ficou preso em casa, você ficou a salvo em casa", tendo em vista a capacidade dos hospitais e a rápida propagação da doença. Ele ressalta a importância do isolamento social. Ele diz que sem uma resolução efetiva de contenção da doença, os casos crescem exponencialmente.

- Enquanto nenhuma medida de contenção é implementada, os casos crescem exponencialmente, ou seja, não só o número de casos cresce, mas a velocidade com que crescem também aumenta. Por isso, é necessário agir com muita antecedência, pois o que importa é essa velocidade. Isto pode atingir um estado crítico antes mesmo do número total de casos estar elevado – disse ele, que continuou:- seguir atentamente às medidas de distanciamento é uma questão de evitar que falte tratamento para quem precisa. Em teoria, cada governo regional deveria ter a estimativa de quando seus hospitais vão saturar em função da evolução dos casos, e também calcular a porcentagem de isolamento para evitar chegar a este ponto. Este número deve ser respeitado para evitar falta de leitos e como consequência um aumento desnecessário da mortalidade – destacou ele, complementando que sem as medidas de isolamento os casos continuariam subindo exponencialmente e os sistemas de saúde já estariam bem mais sobrecarregados do que já estão.

Questionado sobre as medidas de lockdown, Maurício relata que os governos têm que comparar com bastante atenção o número de evolução da doença com a capacidade dos sistemas de saúde.

- Cada governo deveria fazer sua projeção local e implementar um possível lockdown a medida que a projeção de infectados se aproximasse da capacidade limite do seu sistema de saúde. Decidir o momento que isto ocorre é muito delicado e depende desta análise. Infelizmente grande parte dos lugares já ultrapassou este limite e a saturação é inevitável. Neste ponto deve sim ocorrer o Lockdown – disse ele, que complementa: eu trabalho com análise estatística de dados para física de partícula. Isto me permite analisar dados pra saber se a epidemia funciona como os epidemiologistas dizem – finaliza.



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