Edição anterior (1820):
segunda-feira, 04 de novembro de 2019
Ed. 1820:

Capa

Compartilhe:

Voltar:

HOJE

Edição anterior (1820): segunda-feira, 04 de novembro de 2019

Ed.1820:

Compartilhe:

Voltar:


  Geral

Voto feminino foi conquistado há 89 anos

Enquanto eleitoras são maioria, dois terços dos candidatos são homens

João Vítor Brum, especial para o Diário

Anna Maria Rattes, presidente do Comdim / Foto: João Vitor Brum

A luta pela igualdade entre os sexos começou a ganhar destaque na sociedade durante a Revolução Industrial, no século XVIII, quando as mulheres tiveram suas primeiras oportunidades no mercado de trabalho. Neste domingo (3), um importante passo dado pelo Brasil nesta direção completa 89 anos: a instituição do Direito de Voto da Mulher, na gestão de Washington Luiz.

Mesmo com as conquistas dos últimos séculos, ainda há um longo caminho pela frente para que a igualdade entre os gêneros seja alcançada, como destacou a presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, Anna Maria Rattes, em entrevista ao Diário.

- As mulheres têm lutado muito para exercerem um espaço de poder, seja ele qual for. O poder nas empresas, na política, dentro de suas casas. Elas estão se empoderando e trazendo para si mesmas o poder de decisão. Hoje, muitas mulheres são as provedoras de suas famílias e as chefes no ambiente de trabalho. É um caminho muito longo e difícil, mas o único que possibilita alcançarmos, um dia, a igualdade - disse Anna Maria.

Em 1893, as neozelandesas conseguiram uma vitória inédita no mundo: o direito a votar. Treze anos depois, em 1906, a Finlândia também permitiu o voto feminino. Na Grã-Bretanha, o direito foi concedido após a Primeira Guerra, o que, nos anos seguintes, se espalhou por toda a Europa. Em países como Suécia e Noruega, inclusive, o número de mulheres votantes superou o de homens.

Nos Estados Unidos, a Emenda Dezenove definiu o direito de voto para as mulheres em 1919, e, na América Latina, o primeiro país a permitir oficialmente que suas cidadãs votassem foi o Equador, em 1929.

Já no Brasil, o primeiro voto feminino aconteceu na cidade de Mossoró, no Rio Grande do Norte, em 1927. A professora Celina Guimarães teve seu alistamento eleitoral permitido pelo governo do Estado, mesmo sem a garantia na Constituição.

Em 1930, no dia 3 de novembro, foi instituído o Direito de Voto da Mulher no Brasil. Durante o governo de Getúlio Vargas, outras concessões também foram dadas, mas com restrições, como a mulher precisar ser casada e ter a autorização do marido para votar. Quatro anos depois, o Código Eleitoral retirou as restrições, permitindo o pleno acesso ao voto, sendo a obrigatoriedade do mesmo implantada em 1946.

Enquanto eleitoras são maioria, dois terços dos candidatos são homens

Dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontam que, nas eleições de 2018, 52,5% dos eleitores do país eram mulheres, representando 77.339.897 votos femininos no país, contra 69.902.977 homens. Entretanto, a situação muda quando se analisa o índice de candidatos da última eleição: mais de dois terços dos concorrentes eram homens (68,4% do sexo masculino e apenas 31,6% do feminino).

No Rio de Janeiro, os números são semelhantes. Enquanto 53,6% das pessoas aptas a votar são mulheres (6.655.627), 68,9% dos candidatos nas eleições de 2018 eram homens. Já em Petrópolis, 129.925 eleitores são mulheres, número que representa 53,5% do total. Como em 2018 as eleições foram estaduais e federais, não há número específico sobre os candidatos da cidade.

Luta pela igualdade de gêneros está longe de acabar

Anna Maria Rattes, uma das 26 deputadas eleitas em 1986, destaca que é preciso que as mulheres atuem na política fazendo uso das características que as diferenciam dos homens para que conquistem seu espaço. Ela foi a parlamentar constituinte com mais emendas aprovadas no texto constitucional final, com 120 no total.

- A política ainda é um espaço muito masculino. Quando cheguei à Brasília, nem banheiro feminino existia no congresso. À medida em que as mulheres se politizam, elas se preparam e sentem a necessidade de lutar pelos seus direitos. Nosso olhar mais empático, mais honesto e mais ético é exatamente o que falta à política - disse Rattes, que hoje coordena o Gabinete de Cidadania e é presidente do Comdim.

Segundo ela, as mulheres precisam, também, ter coragem de se impor, de tomar a frente e impedir que os homens diminuam suas conquistas e calem suas vozes.

- É impressionante a invisibilidade da mulher quando está em uma reunião com maioria masculina. Os homens falam entre eles e, se a mulher abre a boca, ela é ignorada ou cortada. Por isso, muitas se sentem acuadas e desistem. A mulher precisa perder o medo de se impor e tomar o lugar que é seu por direito - disse Anna Maria, ressaltando, também, que é importante lutar contra a herança cultural passada através das gerações.

- A mulher é criada para ser esposa e mãe, enquanto o homem é criado para ser um profissional. É uma vida de trabalho para quebrar estes conceitos. A mulher na política ainda é uma exceção. Ela precisa lutar duas vezes: primeiro contra outra mulher para conquistar seu espaço e depois contra os homens, que sempre estão em maioria. O caminho é muito mais longo para chegar ao mesmo lugar que os homens - completou a presidente do Comdim.

Uma música recém-lançada pela cantora norte-americana Taylor Swift, chamada "The Man", ou "O Homem", em tradução livre, demonstra um pensamento similar ao de Anna Maria.

O refrão da canção começa com a frase "estou cansada de correr o máximo que posso, pensando que chegaria lá mais rápido se fosse um homem", continuando com "estou de saco cheio deles vindo atrás de mim, pois se eu fosse um homem, seria O homem", completa Swift.



Edição anterior (1820):
segunda-feira, 04 de novembro de 2019
Ed. 1820:

Capa

Compartilhe:

Voltar:

HOJE

Edição anterior (1820): segunda-feira, 04 de novembro de 2019

Ed.1820:

Compartilhe:

Voltar:








Rua Joaquim Moreira, 106
Centro – Petrópolis – RJ
Cep: 25600-000

ABRAJORI – Associação Brasileira dos Jornais do Interior